Fala-se muito em inteligência artificial, automação e novas arquiteturas organizacionais quando o assunto é o futuro do trabalho. Raramente se pergunta o mais óbvio: quem vai trabalhar nesse futuro?
A resposta é mais simples do que imaginamos: as pessoas que hoje estão dando seus primeiros passos nas organizações.
Esse é o ponto de partida do capítulo “Não existe futuro do trabalho sem as futuras gerações”, escrito por Victor Varandas para o livro Futuro do Trabalho — Tendências, Inovação e Liderança (Gpcom Editora, 2026), organizado por Jederson Beck, José Nascimento e Marcelo Nobrega.
A tese central do capítulo é direta: a Geração Z não é revolucionária. É reveladora. Ela não trouxe uma agenda nova ao mundo do trabalho. Trouxe ao centro da conversa o que as gerações anteriores aprenderam a aceitar sem questionar.
Em torno dessa ideia, o capítulo desenvolve três frentes. A primeira é sobre o que essa geração de fato pede no trabalho: não “propósito” no sentido transcendente que o discurso corporativo cristalizou, mas clareza sobre direção, expectativas e critérios. A segunda é uma constatação incômoda. Aplicamos método à operação e improviso às relações humanas, e isso explica boa parte do mal-estar geracional nas empresas. A terceira é prática: o capítulo propõe três rituais que líderes podem adotar sem aprovar projeto, sem contratar consultoria e sem esperar o próximo ciclo de avaliação.
Para ilustrar, o autor abre com a história real de uma jovem profissional que entregava bem, fazia perguntas simples sobre seu desenvolvimento e não recebeu respostas à altura e acabou deixando a empresa onde estava. A organização então se viu obrigada e reestruturar rotinas, definiu critérios e fez exatamente o que ela havia pedido, só que tarde demais.
O capítulo ressoa um diagnóstico que Varandas vem construindo nos últimos anos à frente da VES, consultoria especializada em seleção de talentos e experiência do candidato. Ali se cruzam, todos os dias, os dois lados dessa equação: organizações que querem contratar e reter e jovens que querem crescer no mundo corporativo. E, ao contrário do que alguns pregam, sim eles querem esse crescimento, quando há condições para isso. Em um momento em que liderança e RH são pressionados a “decifrar” novas gerações, o capítulo propõe um movimento mais honesto: parar de decifrar e começar a ouvir. O futuro do trabalho, defende Varandas, não será definido por quem tem as melhores respostas, mas por quem está disposto a fazer as perguntas certas, antes que sejam as próprias pessoas a parar de fazê-las.
Sobre o autor: Victor Varandas é fundador e CEO da VES, consultoria especializada em seleção e desenvolvimento de jovens. Saiba mais sobre Victor e a VES em https://www.linkedin.com/in/vvarandas.